Os escravos em Itacoatiara

Os escravos em Itacoatiara, Amazonas, têm uma história marcada por nuances importantes: em meados do século XIX, aproximadamente em 1857, cerca de 30 africanos livres (não exatamente escravos, mas pessoas capturadas no tráfico atlântico e entregues ao Estado para trabalho temporário) foram levados para a colônia agrícola de Itacoatiara, então chamada Vila de Serpa. Essa colônia era um espaço de trabalho diversificado, com africanos, indígenas e trabalhadores de outras origens, ligados a atividades como serraria, olaria, carpintaria naval, agricultura e pecuária. Apesar de africanos livres segundo a legislação da época, muitos foram mantidos em condições que se aproximavam do trabalho forçado e houve descumprimento das concessões de liberdade que deveriam receber após determinado tempo.Após a falência da colônia no início da década de 1860, parte desses trabalhadores seguiu para outros empregadores, mas muitos migrou para uma área isolada onde fundaram uma comunidade quilombola chamada Sagrado Coração de Jesus do Lago de Serpa, local caracterizado por difícil acesso e fixação na resistência à opressão e discriminação da época. Essa comunidade quilombola ainda existe e mantém vivo o legado cultural e a memória dos descendentes de africanos livres e escravizados da região.Além disso, há relatos de trabalhadores escravizados na região do Amazonas, com marcas físicas e histórias de fugas registradas na imprensa da época, e também investigações contemporâneas sobre trabalho análogo à escravidão em Itacoatiara.Em síntese, Itacoatiara foi local de trabalho tanto para africanos livres em condições próximas do cativeiro quanto para escravizados, com uma importante herança quilombola e resistência presente até hoje na região.

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